A bioarquitetura como parte da proposta de valor
Hellou! Hoje separei um tema bem interessante para escrever sobre, ultimamente, estive participando de reuniões com construtoras e incorporadoras e venho notando o aumento principalmente da presença da bioarquitetura nos projetos, o que me fez querer estudar mais sobre esse tema e entender um pouco melhor os argumentos construídos em torno dele para gerar percepção de valor nos empreendimentos.
Let’sss
A bioarquitetura representa uma abordagem integrada de projeto que considera, ao mesmo tempo, o desempenho ambiental das edificações, as características dos ecossistemas e os efeitos do ambiente construído sobre a saúde, o comportamento e o bem estar humano.
Essa visão parte de um princípio cada vez mais relevante para a arquitetura aonde os espaços participam continuamente da experiência humana por meio da qualidade do ar, da luz, da acústica, da temperatura, dos materiais, da ventilação e da relação estabelecida com o território, ao mesmo tempo em que interferem nos sistemas ecológicos nos quais estão inseridos.
O avanço das pesquisas relacionadas aos Healthy Buildings amplia essa compreensão e contribui para uma mudança importante na forma como analisamos o papel da arquitetura. O espaço deixa de ser observado exclusivamente como uma estrutura física e passa a ser compreendido como um sistema capaz de influenciar continuamente o organismo humano e o meio ambiente.
A bioarquitetura se desenvolve dentro desse contexto ao investigar de maneira integrada a relação entre edificações, ecossistemas e fisiologia humana.
Clima, orientação solar, iluminação natural, circulação do ar, biodiversidade, qualidade dos materiais, água, paisagem, acústica deixam de ser tratados como componentes isolados e passam a funcionar como variáveis interdependentes, capazes de determinar tanto o desempenho de uma edificação quanto a experiência das pessoas que ocupam aquele espaço.
Entram nessa análise fatores como conforto térmico, ventilação, iluminação natural, qualidade acústica, presença de biodiversidade, escolha dos materiais, gestão da água, relação com a paisagem e adaptação ao clima local.
Por isso, a bioarquitetura não corresponde a uma estética específica ou a um determinado estilo arquitetônico. Trata se de uma metodologia de integração entre variáveis arquitetônicas, ambientais e humanas, na qual cada decisão de projeto passa a fazer parte de um sistema maior.
Essa discussão se torna ainda mais relevante quando observamos a quantidade de tempo que a população contemporânea permanece dentro de edifícios. É justamente nesse ponto que a arquitetura passa a se conectar de maneira mais direta com a saúde humana.
Os estudos relacionados aos Healthy Buildings associam a
Qualidade do ar interno ao desempenho cognitivo
Qesquisas sobre iluminação natural demonstram a relação entre exposição à luz, regulação do ritmo circadiano e qualidade do sono
A acústica também exerce influência sobre níveis de estresse, concentração, conforto e recuperação
O acesso à natureza pode contribuir para processos de restauração emocional e renovação cognitiva.
Dessa maneira, o ambiente construído passa a fazer parte das condições que influenciam continuamente nossa saúde, nosso comportamento e nosso desempenho.
A hospitalidade aparece como um dos setores com maior potencial de aplicação da bioarquitetura, principalmente porque a experiência de hospedagem envolve períodos prolongados de interação com o ambiente construído.
O hóspede ele dorme, descansa, trabalha, se alimenta, circula, utiliza áreas de lazer e permanece em contato com diferentes ambientes durante várias horas ou até vários dias e cada uma dessas interações pode ser influenciada pelas decisões arquitetônicas do empreendimento.
A experiência de permanência deixa, portanto, de depender exclusivamente do atendimento, da gastronomia ou dos serviços oferecidos e passa a ser influenciada também pela forma como a própria arquitetura responde às necessidades humanas.
Essa lógica também gera consequências importantes para o posicionamento dos empreendimentos.
Quando a arquitetura é desenvolvida a partir das características específicas do clima, dos materiais, da paisagem, da cultura e dos ecossistemas de uma determinada região, o território deixa de funcionar apenas como localização e passa a fazer parte da proposta de valor.
Projetos construídos a partir dessa relação tendem a apresentar maior singularidade, justamente porque suas soluções estão conectadas às condições específicas do lugar onde existem.
Dessa forma, cada empreendimento pode responder ao seu próprio território sem comprometer a identidade da marca, criando experiências coerentes entre si, mas ao mesmo tempo conectadas à realidade ambiental, cultural e geográfica de cada localização.
Portanto a Bioarquitetura representa uma abordagem para o desenvolvimento de ambientes capazes de responder de maneira mais eficiente às necessidades humanas e ambientais, integrando arquitetura, ciência, tecnologia, natureza e território dentro de uma mesma estratégia de projeto